quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Quarta-feira, 5:36. Insônia...

Caro leitor, são 5:36 (da manhã, mesmo, não são 17:36, ok?), e em meio a uma crise de insônia, revirando-me de um lado para o outro da merda da minha cama, vi que era a hora de eu ter um blog; sim, só meu. A História mostra que grandes decisões foram tomadas assim de repente, e não tenho tanta certeza se isso se aplicará ao caso... E claro, nem é tão importante assim ter um blog.

Pensei também em contar como foi a minha segunda-feira. Num dia normal, costumo acordar cedíssimo para terminar de preparar minha aula de piano, esquento os dedos, dou os últimos retoques nas músicas ou simplesmente fico repetindo-as que nem um idiota pelo simples fato de não ter nada melhor para fazer. Dormir mais? Nem pensar, não vou chegar com cara de sono à minha aula. Também é de costume que nada saia como eu preparei, quer dizer, meus dedos nunca me obedecem e minha cabeça não age musicalmente sob a pressão de ter que mostrar algo novo.

Estando agora eu em férias e portanto não tendo que fazer que os grandes compositores revirem-se nos túmulos, marquei com uns amigos antigos (do tempo em que eu ainda morava em Macaé), muitos dos quais não vejo há mais de dez anos, um encontro em Niterói, reduto agora da maioria deles. Ficou marcado que nos encontraríamos no MAC, às 14:00. Muito bem.

Devo contar que ao ir embora de Macaé (1.998) perdi quase que completamente o contato com todos eles.

Hora de sair. 8 de dezembro. Câmera em punho, ou melhor, na mochila, porque eu moro no Rio de Janeiro, saí de casa cedo, porque pretendia ser pontual, pelo menos uma vez na vida. Peguei o 703, e aí começou o tormento. A porra do ônibus em determinado momento faz um retorno lá na casa do caramba, o que faz com que voltemos quase ao ponto onde o tomei. Claro, fazia muito tempo que não pegava esse ônibus, não me lembrei desse detalhe. Tudo bem. Só que de repente deparei-me com um tráfego intenso, incomum a essa hora desse dia. Legal, esse ônibus vai rápido, porque ninguém vai pra Niterói a essa hora...

Mais uma vez eu estava equivocado. De repente, como para me sacanear covardemente, todas as pessoas do Rio decidiram ir a Niterói, o que obrigou o motorista a parar em quase todos os pontos do trajeto; e esse animal, besta surgida do mais profundo dos infernos, parava sempre na última posição de filas com mais de trezentos ônibus parados nos pontos. Foi aí que comecei a proferir todos os palavrões que conheço e a amaldiçoar a cada pessoa que entrava na droga do ônibus. Seguimos o trajeto. Na ponte, mais animado e calmo, decidi curtir a vista.

Chegamos a Niterói. Logo na entrada da cidade, mais tráfego. E as pessoas que estavam no ônibus, querendo me sacanear novamente, começaram a descer, em todos os pontos possíveis. O telefone toca às 14:14; era Raquel, querendo saber onde eu estava. Não sabia que porra de lugar era aquele e respondi que estava chegando. Decidi que era a hora de descer e tomar um táxi. Assim o fiz. Cheguei ao MAC precisamente às 14:30, tendo deixado minha amiguinha plantada meia hora numa paisagem mais do que batida para ela. Ninguém mais tinha ido. Eloá já havia avisado que talvez não fosse; mas nada da Nathália. Depois fui saber que ela desmaiou de cansaço após um trabalho na faculdade e só tinha acordado às 16:00.

Esperamos ainda no MAC e finalmente decidimos seguir nosso destino, uma sorveteria italiana em Icaraí. Nós descendo o mirante da Boa Viagem e eu pensando nos possíveis momentos de silêncio entre duas pessoas que não sentavam para conversar desde 1.998. Eu já tinha encontrado Raquel antes, mas foi muito rápido, só deu para dizer 'oi'. MSN? Fala sério!

Surpreendendo todas as minhas expectativas pessimistas-paranóicas, os assuntos foram surgindo, desde os tempos da escola, passando por política brasileira (claro, tivemos que sacanear aqueles engravatados nojentos) até a descarga da minha casa. Tomamos água de côco na praia de Icaraí, sentamos um pouco por lá e fomos em direção a sorveteria.

Fechada?! Mas que cidade é essa? Decidimos seguir mais uma vez, dessa vez em direção ao McDonald's. Passamos pelo shopping Icaraí e chegando ao destino final, tomamos um frapê de capuccino (que poderia ter mais chocolate, pelo amor de Deus, estamos falando do McDonald's). O namorado dela apareceu por lá e conversamos mais um pouco. Devido ao calor insuportável, decidimos voltar para nossas casas. Voltei no 703 feliz por ter visto minha amiga e com aquela sensação nostálgica de reencontrar o passado. É, eu fico assim no meu aniversário e no final do ano. Uma tarde memorável.